Uma velha história contada como se tivesse uma mensagem. Mas, não! É apenas uma velha história.
terça-feira, 10 de novembro de 2020
Uma velha história
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
A Minha Cantiga
O poema a seguir, A Minha Cantiga, de Rabindranath Tagore, é dedicado àquelas antigas crianças que subiam no barco que iria partir, que dormiam com o balanço da rede ouvindo a história da Chapeuzinho Vermelho repetida centenas deliciosas vezes, que assistiam ao desenho animado da Branca de Neve, que esperavam o pai para tirar uma dúvida em qualquer matéria que ele dizia invariavelmente que era a sua especialidade, que arrodeavam o estacionamento do prédio ouvindo uma história dos 'dois irmãos' e suas capas de invisibilidade. É dedicado às crianças que se divertiram tomando banho numa piscina armada no meio de um quarto e que contavam o resumo das histórias das primeiras leituras. Eis o poema:
Esta minha cantiga estende a sua música em torno de ti, meu filho, como afetuosos abraços de amor.
Esta minha cantiga passa pelo teu rosto como um beijo de bênção.
Quando estás sozinho, ela está perto de ti e murmura ao teu ouvido. Quando estás na multidão, ela te protege.
A minha canção é como as asas do teu sonho e transporta teu coração aos limites do desconhecido.
Enquanto a noite escura envolve a estrada, ela brilha sobre tua cabeça como estrela fiel.
A minha canção está na pupila dos teus olhos e leva-te longe, revelando-te o coração das coisas. E quando a minha voz estiver muda na morte, a minha cantiga ainda viverá em teu coração.
domingo, 18 de outubro de 2020
Antiga mostra de cinema
Em 1990 tive a oportunidade de assistir a uma interessantíssima Mostra de Cinema Cearense. Lembro-me que me marcaram bastante "A Trama da Rede" de José Inácio Parente - belíssimo, uma obra prima - e "Um Cotidiano Perdido no Tempo", de Nirton Venâncio. A Trama da Rede, em particular, é entrecortada por um belo poema de Carlos Rodrigues Brandão. "Essa é a trama da rede. O tecido das trocas que fabricam o pano da rede de dormir enreda o corpo do homem na tarefa de criar na máquina a rede com a mão. (...) A armadilha do trabalho em casa alheia engole o homem e enovela o corpo inteiro no fio, no fuso, na roda, no tear do maquinário da manufatura e que produz o seu produto, a rede, que reduz o corpo-operário à produção." Aliás, todos os filmes apresentados, esses dois e os demais, eram muito bons. A Trama e Um Cotidiano já estão no YouTube; consegui assisti-los no dia de hoje. Mas nem todas as películas da Mostra encontram-se no YouTube, por exemplo, não encontrei a "Rede de Dormir" de João Maria Siqueira. Talvez fosse interessante que muitos desses filmes mais antigos pudessem ser disponibilizados no YouTube para que mais pessoas tenham a oportunidade de conhecê-los, alguns deles, verdadeiras jóias. Deixo abaixo imagens do folheto distribuído na Mostra com a relação dos filmes apresentados.
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
A mulher do aviador
A mulher do aviador... é um filme que assisti sem ter muita expectativa, mas que tive uma boa surpresa. Dirigido por Eric Rhomer, La femme de l´aviateur..., França, 1981, teve como atores principais Philippe Marlaud, Marie Riviere e Anne-Laure Meurey. É um filme sobre suposições, sobre ciúme e sobre dilemas. A película relata a história de um jovem apaixonado, François, que vai à casa de sua namorada, Anne, para lhe deixar um bilhete e a encontra saindo com um antigo amante, um aviador de quem ela já havia falado. François não sabe que o aviador foi à casa de Anne apenas para dizer que não vai mais vê-la pois sua esposa está grávida e ele vai ficar com ela. Mais tarde o jovem encontra por acaso o antigo amante da namorada e o segue pela cidade. Ele percebe que o aviador está acompanhado de uma senhora, possivelmente sua esposa. O jovem o segue num café, num ônibus, num parque, por ruas diversas até chegar a um prédio onde o casal desaparece em algum apartamento. Nessa perseguição, François conhece a jovem Lucie, que o ajuda na empreitada. Enquanto aguardam algum movimento do aviador e de sua mulher, François e Lucie falam sobre várias facetas da vida. Lucie, deixando o seu endereço, se despede de François e pede que ele lhe faça um relato do que venha a descobrir. François volta para o apartamento da namorada e conversando com ela descobre que a mulher que acompanha o aviador, possivelmente venha a ser a sua irmã. François conversa com Anne sobre a hipótese de viverem juntos, mas Anne afirma que jamais se casará e que prefere morar sozinha. No final da jornada, já à noite, François faz um relato das descobertas à Lucie num cartão postal. Deixa o postal numa caixa de correios e desaparece no meio da multidão.
domingo, 13 de setembro de 2020
Dez anos sem Chabrol
Ontem, 12 de setembro de 2020, há dez anos, morria Claude Chabrol. Chabrol é um dos fundadores da Nouvele Vague, um estilo e estética de cinema novo surgido na França no começo da década de 60 do século passado e que teve como outros participantes os diretores François Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Alain Resnois, entre outros. Nesses dias assisti o filme de Chabrol Les Bonnes Femmes (França, 1960), com as atrizes Bernadette Lafont, Clotilde Jouno, Stéphane Audran e Lucile Saint-Simon. O filme conta a história de quatro moças, balconistas de uma loja de eletrodomésticos em Paris, com as suas diversas expectativas sobre o amor, vivendo entre a expectativa, o tédio e o perigo. Em particular, são bastante interessantes a cena inicial da movimentada Paris noturna, repleta de carros, luzes e sons do início dos anos 60, e a cena do subúrbio, escuro e sombrio, onde moram as jovens trabalhadoras cheias de sonhos.








