sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Mas quem é Flávio?

João Roberto Marinho, presidente do grupo Globo, no dia em que o JN iria entrevistar o candidato Flávio Bolsonaro, 16 de outubro de 2026, ofereceu um almoço de cortesia para ele. De fato, o grupo empresarial pode dar almoço para quem quiser. Entretanto, convém lembrar que os liberais afirmam que não existe almoço de graça. Além disso, um dia antes o candidato Lula foi entrevistado no mesmo JN e não foi convidado para nenhum almoço. Com pouco conhecimento de semiótica percebe-se que os donos da Globo estavam assinando com todas as letras apoio ao candidato Bolsonaro.

Muito bem. Quem é Flávio Bolsonaro? Um resumo encontra-se nos endereços [1], [2] e [3].

Esse sujeito empregou em seu gabinete a mãe e a irmã de um dos maiores matadores do Rio de Janeiro: Adriano da Nóbrega, que já havia sido homenageado em 2003 por Flávio, e em 2005 foi condecorado com medalha, mesmo preso por matar um guardador de carros que denunciara policiais corruptos. Parte do salário das familiares sustentava o miliciano — num esquema conhecido por rachadinha; mais tarde, Adriano da Nóbrega era procurado por seu envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista.

Isso sem falar no seu claro envolvimento com o próprio “careca”; o fim da identificação das munições; o envolvimento com as bets e o movimento por parte de seu advogado Willer Tomaz de quase R$ 5 bi; a defesa do policial que assassinou a pequena Ana Clara com um tiro de fuzil; a tentativa de extinção de cotas raciais nas universidade. Ainda há tantos outros escândalos conhecidos, como os aliados recentemente presos, Rodrigo Bacellar e TH Jóias (vinculados ao Comando Vermelho); os imóveis comprados com dinheiro vivo; os R$ 67 milhões do Banco Master / Daniel Vorcaro surrupiado dos aposentados; o caso do lobby da Covaxin envolvendo garotas de programa e um relógio Rolex; e o envolvimento - novamente - com Willer Tomaz, que o liga ao escândalo do INSS; a fuga para os EUA com a família, dois dias após perder as eleições, por meio de um jato de sócio de narcotraficante que está preso no próprio EUA.

É absolutamente inacreditável que tenham permitido que esta pessoa se candidatasse à presidência do país e, pasmem, que ele tenha conseguido quase 60 milhões de votos. Só não contavam com a força dos jovens, velhos e pessoas que presam pela democracia.



terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lula: 81 anos

Pouco antes do segundo turno da eleição presidencial de 2026, Lula reuniu uma quantidade extraordinária de pessoas em diversas cidades brasileiras, todas elas com a clara intenção de manter a democracia e evitar a ascensão de um miliciano ao maior cargo de direção do país. E venceu a extrema direita brasileira e mundial, Donald Trump, as big techs, André Mendonça e Kássio Nunes. Há dois dias, em virada histórica - como mostra a capa do jornal de ontem - ele foi reeleito para o quarto mandato.



Quando a guerra escolhe meninas como alvo

 Thaís Cremasco, 28/02/2026, na revista Fórum.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

80 anos de alucinações

Tenho alguns discos de vinil que acho particularmente espetaculares, talvez por tê-los escutado bem mais do que outros. Tratam-se do "Secos e Molhados"; "Almanaque", do Chico Buarque; e "Alucinação", do Belchior. Fiz inclusive uma brincadeira juntando as letras de algumas músicas destas três obras primas, para formar uma pequena história (noutra oprtunidade eu apresento esta troça).

Hoje quero deixar apenas algum texto escrito pelo Belchior e para isso escolhi uma das músicas mais bonitas, Alucinação. Se estivesse vivo, exatamente hoje, 26 de outubro, Belchior completaria 80 anos. A homenagem é porque o tempo andou mexendo com a gente, sim.

Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia, nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto, ou oba-oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos, sonhos matinais

Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do Oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia a dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais

Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite, revólver, cheira a cachorro
Os humilhados do parque com os seus jornais

Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas dessas capitais
A violência da noite, o movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais
Cravos, espinhas no rosto, rock, hot dog, play it cool, baby
Doze jovens coloridos, dois policiais

Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia, nem no algo mais
Longe, o profeta do terror que a Laranja Mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas me interessa mais

Amar e mudar as coisas
Amar e mudar as coisas me interessa mais

Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite, revólver, cheira a cachorro
Os humilhados do parque com os seus jornais

Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas dessas capitais
A violência da noite, o movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais
Cravos, espinhas no rosto, rock, hot dog, play it cool, baby
Doze jovens coloridos, dois policiais

Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia, nem no algo mais
Longe, o profeta do terror que a Laranja Mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas me interessa mais

Amar e mudar as coisas
Amar e mudar as coisas me interessa mais

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Uma escolha absurda!

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Que fim levaram todas as flores?

Pelas casas no centro de Fortaleza, que já contam com cem ou duzentos anos, passaram várias gerações, não necessariamente das mesmas famílias. O livro precioso que foi colocado no fundo de um baú, uma bíblia que veio de Portugal, um missal, uma cruz de prata, um bacamarte na parede, a pólvora escondida no fundo da casa, a cristaleira, o vestido de festa, as anáguas, as combinações, o sapato da missa, o terno de brim, a sombrinha que veio da corte, o vidrinho com ópio do boticário, as abotoaduras de ouro de dezoito quilates, os pés de cajueiros, as flores dos jardins, as conversas do final da tarde, as dores, as lembranças...onde andam todos eles?  

E pensando no livro, na bíblia e no missal que se esfarelaram, na cristaleira que quebrou, no bacamarte que foi vendido após a morte do dono, do vidrinho que caiu no chão, nas roupas que ficaram rotas e rasgadas, nas dores e lembranças que se foram com quem as tinham, além das flores que murcharam, recordei da antiga música dos Secos e Molhados, Que fim levaram todas as flores, do compositor João Ricardo. Depois de umas poucas gerações, tudo some, tudo desaparece.

Que fim levaram todas as flores?

Que fim levaram todas as flores?
Que o preto velho me contava
Que fim levaram todas as flores?
Que a rainha louca não gostava

Que a lapela morta carregava
Que olhar de todos me lembrava
Que fim levaram todas as flores?
Que qualquer coisa não estragava

Em qualquer dia que podia
Com grande amor e alegria
Que fim levaram todas as flores?
Que a criança às vezes me pedia

Laralara, laralaralala

Que a lapela morta carregava
Que o olhar de todos me lembrava
Que fim levaram todas as flores?
Que qualquer coisa não estragava

Em qualquer dia que podia
Com grande amor e alegria
Que fim levaram todas as flores?
Que a criança às vezes me pedia
Que fim levaram todas as fores?
Que a criança às vezes me pedia
Que fim levaram todas as flores?


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Barravento

"Trabalha cambada de besta, trabalha. Preto veio para esta terra para sofrer. Trabalha muito e não come nada (...) Precisamos é lutar, resistir. Nossa hora está chegando, irmão." Do personagem Firmino, interpretado por Antonio Pitanga, no filme "Barravento", de Glauber Rocha.


O filme "Barravento", Salvador, Bahia (1961), do diretor Glauber Rocha, teve como atores principais, Antonio Pitanga,  Luiza Maranhão, Lucy Carvalho, Aldo Teixeira, Lídio Cirillo Rosavlo Plínio, D. Zezé, D. Hilda, entre outros.


"Barravento pretende o público internacional e acredita em possibilidades que não lhe pertencem, mas apenas ao povo em marcha, que é o negro. Afirmação de uma raça escrava e vítima de racistas, antropólogos, sociólogos e artistas, o sentimento negro é o maior do mundo e é ele quem faz o brasileiro vibrar no carnaval e no futebol, duas manifestações perigosas para os industriais da fome. Porque a mesma fúria pode explodir nas praças. E, sem dúvida, marchamos para esta festa. O que primeiro precisamos tentar é dar ao negro consciência desta miséria e talvez acentuá-la o mais possível, como se acua um gato num beco. (...) Que adianta dar um brinquedo de Natal ao filho do pobre pescador, se no dia seguinte ele disputa um bolo de feijão juntamente com os cachorros esfaimados de beria-mar?" Experiência "Barravento": Confissão sem Moldura. Glauber Rocha, no Diário de Notícias, Salvador, 25-26/dez./1960.