domingo, 31 de maio de 2026

Phenix Caixeiral

A Sociedade Fênix Caixeiral foi uma associação sociocultural e beneficente de Fortaleza, fundada em 24 de maio de 1891 por empregados do comércio. A sua sede mais famosa localizava-se no cruzamento da Rua Guilherme Rocha com a Rua 24 de Maio, no Centro. O prédio foi inaugurado em 1915 e possuía uma das primeiras quadras esportivas da cidade. A instituição funcionou até 1979, ano em que o seu prédio foi vendido e, posteriormente - como frequentemente acontece com importantes construções de valores históricos na cidade de Fortaleza - demolido. Nos anos seguintes, ainda funcionou no local o Colégio Fênix Caixeiral, que teve suas atividades extintas em 2015. 


Figura 1: Fotografia do antigo prédio da Fênix Caixeiral, destacando-se uma fênix no alto da entrada principal.

Sobre esta sociedade e o colégio é interessante destacar parte da pesquisa da Profa. Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará, na sua obra "Entre livros", no qual ela destaca as importâncias históricas das duas instituições. Assim nos fala a professora Adelaide:

No acervo de um bibliófilo cearense em Brasília, localizei a Revista Phenix, de circulação em Fortaleza, entre os anos de 1912 e 1916, e da lavra dos jovens caixeiros-estudantes da Escola Phenix Caixeiral e de sua Sociedade, frutos do associativismo que se iniciara no século XIX. A edição em dois volumes é acompanhada de estudo introdutório onde ressalto A força da palavra impressa dos moços-caixeiros no Ceará dos começos do século XX. A revista Phenix é daqueles experimentos da cultura autodidata, bela página da história social dos trabalhadores, quando o ensino mútuo, o desejo de saber, o apreço aoa livro e à leitura, pareciam apontar o caminho da emancipação ou como anotado por E.P. Thompson "a consciência articulada do autodidata era, sobretudo, uma consciência política". Assim diz a esperança e o desejo dos jovens estudantes da Revista Phenix: "Um dia, quando este país sanar a chaga do analfabetismo, será poderoso e feliz. O homem de então deixará de ser uma máquina, para ser uma força inteligente que distinga o bem do mal. Seremos, pois, um grande povo, saberemos apropriar e distribuir as assombrosas riquezas que a natureza tão fartamente nos legou. Será o triunfo do novo sobre o velho mundo". 

A pugna dos moços empregados do comércio em Fortaleza é acompanhada da fundação de jornais como expressão de seu desejo de difusão da palavra impressa. No Ceará, desde o século XIX, são publicados os jornais dos empregados do comércio. Em Fortaleza, as folhas dos caixeiros são O Athleta (1891), Phenix Caixeiral (1893), A Opinião (1897), Pedro Moniz (1898), A União (1906), A Centelha (1909), O Movimento (1912), O Caixeiro (1919 e 1924), A Evolução (1924), O Fenixta (1928). Nas cidades do interior do Ceará temos A Classe (1923), do Crato; O Caixeiral (1925), de Iguatu; O Trabalho (1927) e O Escudo (1930), de Sobral. Tantos títulos dizem da significativa incursão dos caixeiros no mundo da palavra impressa. Uma evidência que chega à contemporaneidade é a dos seus jornais, revistas, polianteias e do lema que atravessa décadas: Trabalho e Educação.


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Jangadas, mares e ondas

Dez longos anos navegou Odisséu (Ulisses) em busca do seu porto, mas sem conseguir êxito. Foi uma navegação complicada, cheia de perigos: monstros, tempestades e feiticeiras. Mas ele chegou ao seu destino. Um soldado navegante, marujo de mares e terras, finalmente reencontrando a sua casa, embora ela não fosse a mesma. Muitos séculos depois, a praia encontrava-se lotada de pessoas. Eu observava que havia um imenso bloco de pedra que flutuava sobre as ondas. Mais à frente, também havia outros blocos. De repente, uma onda mais forte avançava e jogava os blocos em direção às pessoas. Antes da água recuar eu já sentia o que seria o resultado. De fato, quando o mar retornava percebia-se a presença de dezenas de corpos que foram esmagados pelos blocos, alguns deitados na areia e outros flutuando sobre o mar. Era um cenário pavoroso. Eu dizia às pessoa que estavam próximas a mim que deveríamos nos afastar pois poderia vir outra onda semelhante e jogar pedras sobre nós...









segunda-feira, 13 de abril de 2026

Fortaleza: 300 anos

Em 13/04/1726, por ordem régia de Dom João V, rei de Portugal, foi instituída a vila de Fortaleza. Na figura abaixo encontra-se a sua planta feita em 1726 pelo capitão-mor Manuel Francês, como procedimento da instalação da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora d’Assunção do Ceará Grande. Trata-se do primeiro registro iconográfico de Fortaleza e está guardado no Arquivo Ultramarino de Lisboa. Uma descrição, realizada pelo padre Serafim Leite: “Em cima do mapa, no ângulo direito, está a Fortaleza, com a bandeira portuguesa e três peças de artilharia visíveis, uma a disparar. Entre o Forte e a regata, uma casa assobradada, e entre a regata e o mar, outras. A seguir à Fortaleza, na mesma linha para o interior, uma casa pequena e depois a Casa da Câmara, com doze portas e outras tantas janelas. Em frente da Câmara e do Forte, a praça com os símbolos municipais, coincidindo o pelourinho com a frente da Câmara, e a forca com a da Fortaleza”.


sábado, 8 de novembro de 2025

A sombra de Gógol

Há muito tempo - décadas, na verdade - li "Almas Mortas", de Nicolai Gógol, e só possuía na memória as ideias gerais deste grande livro. Lendo agora "Lições de literatura russa" de Vladimir Nabokov [1], senti vontade de (re)ler a obra prima de Gógol.

Nabokov apontava Gógol, juntamente com Leon Tolstói e Anton Tchekhov, os três grandes escritores da literatua russa. É curioso ele não colocar Fiodor Dostoievski no mesmo nível destes três, mas isso não vem ao caso neste momento.

Entre as muitas características do mestre russo, Nabokov destaca que Gógol passa de uma ideia a outra, de uma imagem a outra através de passos firmes e galopes entre as frases. Ele fornece alguns exemplos destas características em seu livro, como o reproduzido abaixo:

"Os vigorosos latidos dos cachorros que recepcionaram Tchitchikov quando chegou à casa da Sra. Korobotchka também se mostram igualmente férteis:

'Enquanto isso, os cães latiam em todos os tons possíveis: um deles, com a cabeça jogada para trás, se permitiu ululações tão conscienciosas como se estivesse sendo reiamente pago por seus esforços; outro ladrou alto e repetidamente, mas do modo rotineiro como o sacristão de sua aldeia badala o sino: entre os dois, se ouvia, como a sineta de uma carruagem dos correios, os agudos persistentes do que era provavelmente um filhote; tudo isso coroado pelos tons graves que pertenciam presumivelmente a um velho animal dotado de implacável disposição canina, pois sua voz era tão rouca quando a de um baixo profundo num coro de igreja, quando o concerto está chegando ao clímax, com os tenores se pondo na ponta dos pés na ânsia de produzir uma nota alta e todos os demais também curvando a cabeça para trás e erguendo o corpo - e só ele, com o queixo mal escanhoado enfiado no lenço do pescoço, afasta os joelhos, quase desce até o chão e de lá emite a nota que faz tremer e chocalhar os vidros das janelas.'

Assim o latido de um cachorro gera um coralista de igreja. Em outro trecho (quando Pável chega à casa de Sobakevitch), nasce um músico de modo mais compleco e que traz o símile entre o céu nublado e o soldado bêbado".  

Enquanto em Tchecov, se um elemento qualquer aparecer num conto, ele deve desempenhar alguma função importante na trama, em Gógol, personagens secundários podem surgir sem menos se esperar, atuarem despretenciosamente e, a seguir, desaparecerem para sempre. Nabokov mostra este aspecto da escrita de Gógol retirando uma das primeiras partes de "Almas Mortas": 

"Assim, a conversa acabou. Além do mais, quando o coche chegou à porta da hospedaria, por acaso passou um jovem usando calças de sarja branca muito justas e curtas, bem como um casaco de fraque então na moda, debaixo do qual se via o peitilho preso com um alfinete de bronze de Tula em formato de pistola. O jovem virou a cabeça, olhou de volta para a carruagem, segurou o boné que o vento ia arrancando, e seguiu o seu caminho". (...) Agora a análise de Nabokov: "Outro toque especial pode ser exemplificado pelo transeunte acidental - o jovem retratado com uma repentina e totalmente irrelevante riqueza de detalhes: ele aparece como se fosse permanecer no livro (como muitos do homúnculos de Gógol parecem desejar - mas em vão). Qualquer outro autor de sua época estaria obrigado a assim iniciar o parágrafo seguinte: "Ivan, pois esse era o nome do jovem..." Mas não: uma rajada de vento interrompe sua olhadela e ele segue em frente, não voltando a ser mencionado".

E ainda em relação a "Almas Mortas" e os personagens secundários, Nabokov lembra de um certo tenente, que aparece em um único parágrafo, para depois sumir e nunca mais retornar:

"Tchichikov, após fechar com êxito sua transação espectral com os proprietários de terras, foi recepcionado pelos maiorais da cidade e vai para a cama muito bêbado: seu cocheiro e seu criado saem de mansinho para fazer uma farra e voltam cambaleantes para a hospedaria, de maneira muito cortês se amparando um no outro, e logo caem no sono também.

'[...] soltando roncos com uma incrível densidade sonora, ecoados pelo fino chiado nasal de seu senhor no quarto ao lado. Logo depois, tudo ficou em silêncio e o sono profundo tomou conta da hospedaria: só uma luz permanecia acesa na pequena janela de um certo tenente que chegara de Riazan e era aparentemente um amante de botas, já tendo adquirido quatro pares e continuando a experimentar um quinto par. Vez por outra ia até a cama como se tencionasse tirá-las para se deitar, porém simplesmente não podia; na verdade, aquelas botas eram bem-feitas e, por bastante tempo, ele ficou girando o pé e inspecionando o arrojado formato de um tacão admiravelmente produzido.'

Assim termina o capítulo - e aquele tenente continua a experimenar suas imortais botas de cano alto, e o couro brilha, e a vela arde firme e brilhante na única janela iluminada de uma cidadezinha morta no mais fundo de uma noite estrelada. Não conheço nenhuma descrição mais lírica do silêncio noturno do que esa Rapsódia das Botas."

[1] V. Nabokov, lições de literatura russa, trad. Jorio Dauster, São Paulo: Fósforo, 2021.

sábado, 30 de agosto de 2025

Vida e morte de Simoésio

Essa passagem sobre a vida e morte de Simoésio, num texto curto consistindo de umas poucas frases, já relatei numa antiga postagem neste blog. Mas consegui outras versões[*], que vou reproduzi-las porque esta passagem da Ilíada de Homero me parece rica em significados e explora a história de uma vida em meia dúzia de frases.

A primeira refere-se à tradução de Manuel Odorico Mendes, talvez o primeiro tradutor de Homero para a língua portuguesa (no caso, estou utilizando uma reimpressão da Ciranda Cultural, 2020): Lanceia o Telamônio a Simoésio, filho de Antemion, solteiro e imberbe: No Ida, os gados a ver baixando às margens do Símois com seus pais, a mãe o teve; donde vinha-lhe o nome. Aos que o geraram em frutos não pagou ternura tanta, Pelo bronze de Ajax em flor cortado: A destra mama atinge e lhe atravessa o ombro a lançada, que o rebolca e estende. Ao pé de úmido lago o choupo liso, que a rama e o cimo exalta, o carpinteiro talha a ferro aceirado, por que em rodas curve-o de belo coche, e à beira o tronco jaz do rio a secar; destarte o jovem, a quem despoja o herói, murchece e tomba.

A segunda é a tradução de Trajano Vieira: Ájax acerta o Antemiônio Simoésio, na flor da idade. A mãe o concebera abaixo do Ida, às margens do Simoente onde estivera acompanhada pelos pais tocando a rês. Daí o nome. Mas aos pais não devolveu todo apuro da infância: a vida dura pouco, caído sob a lança de Ájax animoso. Em seu avanço, o Telamônio o alanceou no mamilo direito. A ponta sai da espádua, e ele tombou no pó, de borco, como um álamo que aflora na umidez do prado, no paul enorme, liso, ramos espoucando acima, e com o ferro cintilante um carpinteiro o talha e o arredonda para a roda bela de um carro. E jaz à beira-rio para a secagem. Ájax privou assim de vida Simoésio.

A terceira tradução é do tradutor português Frederico Lourenço: Então atingiu Ájax, filho de Télamon, o filho de Antémion - o florescente Simoésio, ainda solteiro, que outrora a mãe dera à luz junto às correntes do Simoente, quando descia do Ida; pois aí se dirigira com os pais para ver os rebanhos. Por essa razão lhe puseram o nome de Simoésio; mas aos pais não restituiu o que gastaram ao criá-lo, pois breve foi a sua vida, subjugado como foi pela lança do magnânimo Ájax. Enquanto avançava entre os primeiros foi atingido no peito, junto ao mamilo direito; e completamente lhe trespassou o ombro a lança de bronze. No chão caiu como o álamo que cresceu nas terras baixas de uma grande pradaria, liso, mas com ramos viçosos na parte de cima - álamo que com o ferro fulgente o homem fazedor de carros cortou para com ele fabricar um lindíssimo carro, e que deixou a secar, jazente, na ribeira de um rio. Deste modo Ájax, criado por Zeus, matou Simoésio, filho de Antémion.

A quarta tradução, creditada a Haroldo de Campos, já foi reproduzida neste blog em 31/01/2014: Ájax, o Telamônio, vulnera Simoésio, filho de Antemion, jovem no florir da vida, a quem a mãe, descendo do alto do monte Ida, com os pais, para junto dos rebanhos, dera à luz, perto do rio Simoento; daí, seu nome. Não pode retribuir o cuidado dos pais, a vida lhe foi curta. Ájax, sempre-ardoroso, o dobrou. Com a lança transpassou-lhe o peito, à altura do mamilo direito; varou-lhe a espádua a ponta brônzea e rojou-o no pó. Qual um álamo negro dos confins de um pântano, que ergue o tronco brunido e alteia a copa e as ramas até que um artesão de carros com luzente lâmina o abata, para as rodas de uma biga esplêndida encurvar; e ele tomba e dessora à beira-rio; assim, sob Àjax, Simoésio.

Finalmente, a quinta tradução, agora para o inglês, é devida a Emily Wilson: Then Telamonian Ajax struck and wounded young Simoesius, Anthemion's son, a healthy boy who had been born beside the streams of the Simoeis when his mother had gone to see her parents' flocks of sheep upon Mount Ida. On the way back down she gave birth by the river. That was why they named him Simoesius. That boy would never pay his loving parents back for taking care of him. His life was short, because the spear of Ajax cut him down. The young man stepped in front, and Ajax struck his chest by his right nipple, and the bronze pierced through and came out by his shoulder blade. He fell down in the dust, just like a poplar that grows upon a vast expanse of marshland - smooth on its trunk with branches high up top. A chariot maker with a bright iron axe fells it to form the rim around the wheel upon a glorious chariot. The tree lies drying out beside the riverbanks. So Simoesius, Anthemion's son, was killed by Zeus-born Ajax.

[*] Agradeço à beatriz.rabelo@svm.com.br a indicação destas várias versões, de fato, só conhecia a tradução de Haroldo de Campos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

O arianismo do barão do Rio Branco

Folhei aleatoriamente um livro de Gilberto Freyre e vi o texto que reproduzo abaixo. Ele apresenta uma faceta impressionante, eugenismo/ arianismo, do barão do Rio Branco, que hoje é nome de ruas, avenidas e escolas em quase todas as cidades do Brasil. Um herói. Qual é o peso do legado deste heroismo? (Claro, aqui esta é apenas uma questão retórica).

Bem, abaixo um recorte do texto de Gilberto Freyre:

Do barão do Rio Branco se sabe que, escolhido pela República para ser ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, ocupou esse cargo, inteligentemente atento a aspectos da representação brasileira no estrangeiro que sua longa residência na Europa lh ensinara serem de importância para a afirmação de prestígio de uma nação ainda jovem em formação, entre as antigas e plenamente maduras. Entre esses aspectos, a aparência dos diplomatas que, a seu ver, deviam ser eugênicos, altos, bem-apessoados, representando o que a 'raça' brasileira em formação tivesse já de melhor; e esse seu cuidado pela aparência de diplomatas brasileiros no estrangeiro levou-o ao excesso arianista de quase sistematicamente incluir entre aquelas virtudes eugênicas, que exigia dos candidatos à representação do Brasil no exterior, o aspecto caucásico dos indivíduos. Que fossem brancos ou quase brancos - quase brancos como Domício da Gama, por exemplo: quase outro Nabuco na distinção do porte e das maneiras - de bem-nascidos, bem-criados e bem-educados. E não só isso: casados com senhoras que fossem também, se não sempre belas, o mais possível elegantes no porte e no trajo, além de brancas ou quase brancas; e falassem o seu francês ou o seu inglês razoavelmente bem. Esta caracterização do segundo Rio Branco como homem atento a pormenores de ordem eugênica, estética e étnica, na escolha de enviados do Brasil ao estrangeiro, baseia-se em informações orais que nos foram transmitidas pelo seu sobrinho, e nosso amigo, já falecido, Pedro Paranhos Ferreira, nascido em 1875; e que foi na mocidade tratado pel Barão quase como se fosse um dos filhos; admitido à sua intimidade; contagiado pela sua tendência para expandir-se, sempre que a discrição inerente ao cargo diplomático o permitisse, de gourmet em gourmet, tanto quanto por algumas das suas ideias menos ostensivas porém mais constantes: uma delas, a de terem deixado os portugueses de ser um povo admirável, ao qual muito devia o Brasil, para viverem na vizinhança do ridículo, à semelhança de vários dos sul-americanos. Desse ridículo é que era uma das preocupações do Barão livrar o Brasil, para que as afirmações do progresso brasileiro sob a República - pelo seu gosto, não se teria dado a substituição do Império pela República de 89 - se fizessem dentro de uma ordem que, além de social e também ética, em geral, fosse estética, em particular; e incluísse o comportamento, a aparência, o aspecto dos brasileiros incumbidos da missão, para ele quase sagrada, de representarem o Brasil na Europa.

In "Ordem e Progresso", Gilberto Freyre

sábado, 28 de junho de 2025

Foi-se Forsyth

Há muito tempo eu tinha um colega que colecionava, e lia, os livros de Sidney Sheldon, Harold Robbins, Frederick Forsyth e Stephen King. Eu sentia um pouco de inveja da disposição deste meu amigo, que devorava vários volumes dos referidos autores ao longo dos anos. Eu sabia que as histórias destes escritores eram bastante criativas e com muita imaginação, e dizia que algum dia eu iria ler pelo menos uma obra de cada um deles.

Na semana passada morreu Frederick Forsyth e dando uma rápida olhadela na estante de casa, percebi que havia alguns volumes do Stephen King - adquirido por uma das filhas - que acredito que seja o último sobrevivente entre os quatro autores. Um deles contém quatro contos, enquanto o segundo volume é um romance bastante espesso.

Nenhum dos quatro autores ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, não tenho capacidade para julgar a qualidade das obras, mas imagino que não seja desonra para nenhum grande vendedor de livros, não receber esta honraria. A gente lembra que Guimarães Rosa não recebeu, também passaram em brancas nuvens Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, João Ubaldo Ribeiro e Jorge Amado. Esse pessoal não deixa de ser gigante por não ter ido à Estocolmo receber uma medalha e um milhão de dólares. Fabiano, a cachorra Baleia, Diadorim, o retirante da seca de quinze, os capitães de areia são personagens eternos.