segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Que fim levaram todas as flores?

Pelas casas no centro de Fortaleza, que já contam com cem ou duzentos anos, já passaram várias gerações, não necessariamente das mesmas famílias. O livro precioso que foi colocado no fundo de um baú, uma bíblia que veio de Portugal, um missal, uma cruz de prata, um bacamarte na parede, a pólvora escondida no fundo da casa, a cristaleira, o vestido de festa, as anáguas, as combinações, o sapato da missa, o terno de brim, a sombrinha que veio da corte, o vidrinho com ópio do boticário, as abotoaduras de ouro de dezoito quilates, os pés de cajueiros, as flores dos jardins, as conversas do final da tarde, as dores, as lembranças...onde andam todos eles?  

E pensando no livro, na bíblia e no missal que se esfarelaram, na cristaleira que quebrou, no bacamarte que foi vendido após a morte do dono, do vidrinho que caiu no chão, nas roupas que ficaram rotas e rasgadas, nas dores e lembranças que se foram com quem as tinham, além das flores que murcharam, recordei da antiga música dos Secos e Molhados, Que fim levaram todas as flores, do compositor João Ricardo. Depois de umas poucas gerações, tudo some, tudo desaparece.

Que fim levaram todas as flores?

Que fim levaram todas as flores?
Que o preto velho me contava
Que fim levaram todas as flores?
Que a rainha louca não gostava

Que a lapela morta carregava
Que olhar de todos me lembrava
Que fim levaram todas as flores?
Que qualquer coisa não estragava

Em qualquer dia que podia
Com grande amor e alegria
Que fim levaram todas as flores?
Que a criança às vezes me pedia

Laralara, laralaralala

Que a lapela morta carregava
Que o olhar de todos me lembrava
Que fim levaram todas as flores?
Que qualquer coisa não estragava

Em qualquer dia que podia
Com grande amor e alegria
Que fim levaram todas as flores?
Que a criança às vezes me pedia
Que fim levaram todas as fores?
Que a criança às vezes me pedia
Que fim levaram todas as flores?